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Ilhas na rota do plástico: a realidade de Cabo Verde

Na única ilha desabitada de Cabo Verde, Santa Luzia, a praia dos Achados é um testemunho cru do impacto humano. Apesar de estar classificada como reserva natural parcial, ou seja, qualquer visita requer autorização, os vestígios da atividade humana não conhecem barreiras. Na praia dos Achados (nome que provêm vemos um areal cultivado por lixo, depositado conforme a força das marés e nalguns locais. Atenção onde pousas os pés!

Aqui nesta praia (que ganhou o nome por razões óbvias), podemos encontrar um pouco de tudo, de todos os cantos do mundo: tábuas de madeira com pregos, a paletes de carga inteiras e todo o tipo de embalagens de plástico, umas inteiras, a maioria partidas. Inclusive, Tommy Melo, cofundador da organização não-governamental (ONG) Biosfera, lembra-se de quando veio dar à costa uma televisão LCD.

De todo o lixo que se observa, a maior variedade de embalagens recai sobre o grupo dos plásticos, onde se verifica uma grande quantidade redes, de mangas e acessórios de pesca industrial. A situação nesta praia devido ao recife de coral, que dificulta a recolha por barco, ao contrário de outras ilhas onde há limpeza regular. Aqui, o problema mantém-se constante, com 50 a 70 toneladas de lixo recolhidas por ano.

O cenário é ainda mais preocupante por se tratar de uma importante zona de nidificação de tartarugas, onde até 40% dos adultos fazem ninhos. O plástico aumenta a mortalidade, prendendo tanto crias como adultos.

Desde 2011, que a Biosfera promove campanhas de limpeza com voluntários, mas o desafio persiste: já se acumulam centenas de toneladas de resíduos sem solução de remoção. Apesar de várias tentativas, nenhuma foi viável até agora, embora haja esperança no projeto “Ilhas Sem Plástico”.

Os impactos são reais e estendem-se a todo o ecossistema. Afetam aves marinhas, tubarões peixes e outros animais, vítimas da ingestão de plástico e da chamada “pesca fantasma”.

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